quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Monstro

(Título original: Cloverfield)

Cloverfield_theatrical_posterNa festa de despedida de Rob (que irá morar no Japão) um tremor assusta todos os convidados, que correm para a cobertura para descobrir o que está acontecendo. Veem uma bola de fogo que logo começa a lançar pedaços de pedras flamejantes obrigando-os a fugirem para a rua, quando então percebem a exata dimensão do terror que está apenas começando.

Um dos amigos de Rob - que recebera a incumbência de filmar as despedidas dos amigos para entregar a Rob antes de sua partida - acaba filmando tudo e é através dessa câmera que vemos as ocorrências aterrorizantes que se sucedem enquanto New York é destruída mais uma vez pelo cinema americano, que parece ter prazer em situar geograficamente todas as catástrofes reais e imaginárias nessa cidade.

Com muito suspense e sustos, a ação se sucede e somos levados junto com a câmera pela louca fuga dos habitantes da cidade, enquanto tentam descobrir o que está acontecendo.

O elenco é composto por Lizzy Caplan (que também participa do oscarizado 127 horas), Jessica Lucas (Vovó…zona 3), T.J. Miller (Como treinar seu dragão), Michael Stahl-David (conhecido no Brasil por participar de um episódio de Numb3rs e de Law &  Order Criminal intents). A direção é de Matt Reeves (que também dirigiu Deixe-me entrar, filme já comentado aqui no blog, do tipo “horror apavorante”).

No estilo “pegue a câmera e deixe rodar” como nos filmes Rec, Bruxa de Blair e mais recentemente Atividade Paranormal e suas sequências, que dá ao espectador a sensação de fazer parte da ação, que é focada no grupo de protagonistas, sem se preocupar com explicações científicas, filosóficas ou teóricas para justificar o ataque do monstro à cidade de Nova York.

Para os americanos a decapitação da estátua da liberdade deve ter adicionado um horror adicional e simbólico ao filme, mas para nós o terror e o suspense também funcionam muito bem.

Assista numa noite chuvosa com as luzes apagadas, de preferência com companhia.

Zailda Coirano

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quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O que você sabe sobre “serial killers”?

Jason_VoorheesO cinema (particularmente o americano) já ganhou milhões e milhões de dólares com seus “serial killers”, tanto os baseados em personagens reais quanto os criados pela imaginação mais ou menos doentia dos seus escritores.

Uma das características principais dos serial killers é sua loucura. A insanidade os leva às mais inimagináveis atrocidades que fazem o delírio das audiências amantes dos filmes escatológicos, com desmembramentos, esmagamentos, esguichos de sangue e massa encefálica à distância.

Também são irritantemente persistentes: após escolherem sua(s) vítima(s) da forma mais organizada que uma mente torturada e imersa em delírios esquizofrênicos é capaz, ou seja de maneira totalmente aleatória, não há praticamente nada que os faça desistir. Em alguns casos (como em Sexta-feira 13) nem mesmo a morte.

Mesmo após ter sido morto logo no início da série de matanças filmes, o Jason sempre ressurge, mesmo tendo sido queimado, esmagado e enviado para o fundo de um lago diversas vezes. Não importa como nem quantas vezes os personagens se livrem dele, ele sempre retorna. Pior que mosca em pescaria.

Em O silêncio dos inocentes o serial killer acabou sendo um caso de “a realidade imita a arte”, logo após seu lançamento foi descoberto na Inglaterra um doido varrido que além de matar também comia suas vítimas – ou partes delas – que guardava na geladeira para – quem sabe – uma boquinha durante a noite ou no intervalo de um filme na TV.

Torturados pela infância de abusos ou simplesmente porque nasceram assim (como em Caso 39) ou porque são doidos de dar nó (ou dar dó) como em A órfã, creio que esses personagem no são uma tentativa do cinema de entender as mentes dos assassinos em série que o fascinam desde sempre.

Alguns assassinos já tiveram uma série ou vários remakes dedicados às suas carreiras de mortes, como Jack, o estripador e outros que tornaram-se verdadeiros “cults” como Sexta-feira 13 e O assassino da serra elétrica (que se baseia em fatos reais).

Talvez o mais horripilante desses filmes é que sabemos que em meio à fantasia há sempre uma pontinha de verdade, o que torna esses filmes ainda mais assustadores, embrulhando os estômagos mais fracos e causando taquicardia nos corações menos resistentes.

Apresentação rodapé do blog

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

O que você sabe sobre fantasmas?

ouijaFantasmas são como chamamos os espíritos desencarnados que por alguma razão permanecem presos a um lugar, assombrando as pessoas que ainda estão vivas.

Fantasmas ruins X fantasmas maus

O cinema divide suas assombrações em boas e más, e geralmente quando há uma – ou mais – assombrações “do bem” que só estão tentando proteger os outros ou que são atormentadas por lembranças de sua vida anterior, sempre há pelo menos uma bem má acompanhando. Algumas dessas assombrações não se contentam em assombrar apenas lugares, mas tomam posse dos corpos das pessoas que o habitam ou frequentam.

Comportamento

Nunca entendi muito bem o comportamento das assombrações do cinema. A maioria quer passar um recado, enviar uma mensagem. Essa mensagem pode variar desde o local onde estão seus restos mortais - e após essa descoberta, devidamente enterrados em local sagrado costuma-se “libertar” as almas errantes; outros querem justiça contra seus algozes, esclarecer a forma como foram mortos, como viveram, como foram presos, mantidos reféns e como sofreram violência física. Seja como for, parece que eles têm uma tendência não completamente clara para mim de enviar mensagens através de enigmas.

Ora, se seu objetivo é enviar uma mensagem, por que não dizer logo de cara: foi o fulano que me matou? Por que mostrar um monte de pistas que precisam ser descobertas, interpretadas e encaixadas primeiro para só então entender – ou não – seu significado? Se a assombração é capaz de derrubar paredes, por que não pegar uma caneta e escrever a mensagem com todos os pingos nos ii?

Também não entendo certos “limites”. Se a Samara do filme O chamado consegue entrar na TV, deslocar-se com tanta facilidade chegando até a possuir o garoto no segundo filme, por que não consegue sair quando se fecha a tampa do poço no qual estavam seus restos mortais (que foram devidamente descobertos e enterrados no filme 1)?

No filme O buraco as entidades começaram a transitar livremente assim que os cadeados que lacravam o tal buraco que dá nome ao filme foram retirados. Mas essas mesmas entidades não tiveram nenhum problema para remover diversos pregos que foram colocados na tampa do bendito buraco com a mesma intenção. Conseguem arrancar pregos mas não abrir cadeados?

Assombrações teimosas

Algumas assombrações são “teimosas” e mesmo que o clichê do cinema gire em torno de algo como “descobrindo a chave do enigma a assombração se liberta e some”, após ser desvendado o enigma diversas vezes em várias continuações sempre há mais um pouco para descobrir e as maldições se recusam a largar o osso, digo, o local.

Ainda há aquelas originadas de uma maldição, então não importa que se descubra tudo de trás pra diante, de cor e salteado que continuarão a perseguir quem quer que faça o que os levará a cair na tal maldição. No filme O grito acontece mais ou menos isso, qualquer mortal que entrasse na casa onde a família foi brutalmente assassinada seria literalmente assombrado até morte, que teria que ser  morte mais apavorante possível. Coisa lá dos orientais, que em matéria de assombrações estão anos-luz à frente dos americanos. Não importa quantos filmes de terror já tenha visto, você sempre irá ficar morrendo de medo e tomar muitos sustos com os filmes deles lá.

Possessões

As assombrações hollywoodianas parecem ignorar totalmente o que se sabe sobre elas na “vida real”. Reza a doutrina espírita que um espírito desencarnado não pode jamais “entrar” no corpo de outra pessoa. Pode-se até pensar em “obsessão”, quando os dois espíritos (vivo e desencarnado) estão na mesma sintonia, ou seja: têm as mesmas falhas morais e tendências maldosas. No cinema qualquer um está à mercê de perder o domínio sobre o próprio corpo e mente, sendo levado às maldades mais perversas por seu opressor, dominador ou o que quer que se chame.

Além disso há as possessões por espíritos mais ou menos perversos que por vezes são “convidados” pela famosa tábua “oui-ja” que se destina à comunicação com espíritos errantes. Também a brincadeira do copo parece não ser tão inofensiva quanto os incautos participantes dos filmes de terror acreditam, sendo uma porta aberta para todo tipo de possessão, assombração ou obsessão que o cinema possa imaginar ou criar.

Alguns filmes saem do lugar-comum – tarefa nada fácil a julgar pelo crescente número de filmes com o tema – e apresentam as assombrações sob outro ponto-de-vista, como é o caso do excelente Os outros. Depois de assistir o filme, desafio o expectador a me dizer quem está assombrando quem.

Apresentação rodapé do blog

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